Nós
Meu querido amor,
Quero iniciar esta carta dizendo o quanto esses dias ao seu lado me fizeram bem. Quero contar pra ti como eu enxerguei toda essa nossa história, espero que não se importe…
Era uma sexta-feira, dia 12 de novembro para ser mais específico, e eu estava já com as minhas malas prontas e à cominho do aeroporto, finalmente estava chegando a hora de te ver.Meus amigos ficavam rindo do meu nervosismo que era evidente a cada passada de mão no cabelo ou estralada de dedos dentro no avião. Eles falavam que eu estava parecendo um idiota, um criança de 5 anos de idade louca para receber os presentes de aniversário ou de Natal. Talvez eu estivesse daquele jeito mesmo, você sabe como eu sou, um completo bobo quanto o assunto é você. E sabe, me contaram que a situação se agravou quando eu pisei no aeroporto do Rio de Janeiro.Naquele momento eu não só estava demonstrando o meu nervosismo através de passadas de mãos nos cabelos, estraladas de dedos, como também nas mordidas nos lábios e olhos apreensivos.
Logo que cheguei resolvi te ligar para avisar, como o combinado. Você atendeu surpresa pois eu nunca te ligava, não só pelo fato de não gostar de falar no telefone mas pelo fato de não ser o cara mais responsável do mundo. Mas naquele momento você não estava daquele jeito, surpresa e ao mesmo tempo nervosa com alguma coisa, apenas pelo fato da ligação, havia algo à mais e essa eu descobri logo depois que te perguntei quando que podíamos sair juntos. Você estava indo viajar com suas amigas e não podia desmarcar. É, o meu mundo desabou com poucas palavras suas. “Será que eu não conseguirei vê-la de novo? Isso não pode acontecer!” foi o que eu pensei. Desligamos o telefone. Fiquei em silêncio o caminho inteiro à minha tia.
Fui o caminho inteiro do aeroporto ao apartamento calado. Os meus amigos me perguntavam o que aconteceu e eu não os respondia, não por falta de vontade, mas por falta de forças. Até o momento em que subi, sentei no sofá e compartilhei com eles o que havia acontecido. Ninguém acreditou, aquela história - a nossa história - estava mais para uma novela mexicana. Porém, um momento o meu amigo me falou “Por que você não vai encontra-la?” . Essa era a idéia perfeita apesar de ser arriscada demais, mas era arriscar ou te perder mais uma vez. Te mandei uma mensagem, você se lembra, perguntando pra onde você iria e tive como resposta o nome de um hotel a uns 200 km de onde eu estava. Não pensei duas vezes, procurei o endereço certinho, peguei o carro com os meus amigos e parti para te encontrar. Antes passei numa floricultura, comprei um buquê e outras rosas soltas, e então fui ao seu encontro.
Passei o trajeto inteiro pensando se conseguiria te encontrar e quando isso acontecesse o que iria te falar. Planejei diálogos. Imaginei cenas. E fiquei com o coração apertado toda vez que olhava para o relógio e percebia que o tempo estava passando e de você eu estava me aproximando. Mas então chegamos logo após que havia anoitecido, eu e meus amigos, na frente do hotel em que você estava. Entramos, pegamos um quarto e eu te liguei. Inventei uma desculpa idiota de que precisava saber onde você estava apenas pelo fato de não me conformar de estar tão perto mas ao mesmo tempo tão longe de ti. Você me disse que estava no seu quarto com suas amigas, e foi exatamente nessa hora que eu tive uma idéia maluca, sem noção, besta e completamente perigosa de te fazer uma surpresa.
Rodei o hotel inteiro, procurei saber qual era o seu quarto e felizmente o achei. Fui na sua janela com o meu violão, a cara e a coragem. Primeiro eu peguei as rosas - aquelas soltas que comprei antes - e joguei na sua janela que estava fechada e então jogava as flores no chão da sacada. Você saiu sem entender nada e provavelmente deve ter pensado “Qual o motivo de ter um garoto em frente ao meu quarto cantando e jogando flores?” . Não sei o que você realmente pensou, se gostou ou não, mas naquele momento esboçou um sorriso - o mais lindo do mundo - e ficou me olhando tentando entender o que estava acontecendo. Logo depois de eu terminar a música, me perguntou quem eu era com um ar de quem já sabia a resposta, e eu lhe respondi que era o cara mais apaixonado do mundo. Na mesma hora o seu rosto ficou vermelho e você disse meu nome. Eu confirmei e então me dissestes que era para eu a esperar pois estava descendo naquele mesmo instante.
Nesse meio tempo eu corri pra pegar o buquê de rosas que havia comprado pra ti, e tratei de coloca-lo rente as minhas costas. Você chegou meio que correndo e então me deu um abraço apertado. Olhei em seus olhos e confesso que fiquei paralisado, eu havia encontrado neles o paraíso. “Cara, o que você tá fazendo aqui?” “Vim te encontrar, fiz mal?” “Não, óbvio que não, eu apenas estou surpresa com tudo isso, é muita surpresa pra um dia só…” “Eu não podia vir para o Rio de novo e não te encontrar. Uma vez você me falou que quem viaja por amor não acha que mil metros sejam mais longos que um, e então eu resolvi testar pra ver se isso era verdade.” Você me olhou com uma cara de surpresa, mas parecia que tinha gostado dessa. Eu lhe entreguei o buquê de flores e pedi desculpa pela demora, mas que esperava ter sido o primeiro a dá-lo, como nós combinamos um dia. Ele, o buquê, tinha 15 botões, um para cada mês que passei pensando em você e querendo que aquele momento se tornasse realidade.
Bom, passamos o resto da noite juntos, até a hora de você ir dormir. Se lembra que eu não conseguia solta a sua mão para te deixar ir ao seu quarto? É, acho que te puxei de volta pra perto de mim inúmeras vezes para te abraçar e te beijar como se fosse a primeira vez. Eu sei que sou um idiota mesmo, mas eu realmente tinha medo de te soltar e perceber que tudo aquilo era um sonho, o melhor sonho de todos. Confesso que no meu quarto eu não consegui dormir direito, a única coisa que pensava era em te ver de novo, em ficar perto de você, em te abraçar, em te beijar, em ouvir a sua voz, em ver o seu sorriso… E assim foram os três dias que passamos juntos. Os mais longos, mas ao mesmo tempo, mais curtos da minha vida. Horas passavam voando ao seu lado, e segundos pareciam eternidade longe de ti. E isso continua.
Não queria lembrar dessa parte da história, mas se recorda da despedida? Voltamos juntos ao Rio e passamos o resto do dia assim, até o momento em que você foi no aeroporto comigo. O meu coração ficava apertado a cada chamada de vôo e cada passo dado no saguão. As minhas mãos já estavam escorregadias, mas você as segurava firme e isso me passava a impressão de que não era apenas eu que estava achando aquela pseudodespedida a pior coisa do mundo. “Atenção passageiros do vôo 1577 com destino à São Paulo…” era a chamada do meu vôo. Nós nos dirigimos ao embarque e chegando lá as nossas mãos continuavam juntas como uma só. Eu te beijei e logo abracei por um longo tempo. “Será que eram aqueles os últimos entre nós?” não me recordo nem a quantidade de vezes que isso passou pela minha cabeça, isso aconteceu com você também? Enfim, acho que as lágrimas, mesmo que discretas por conta da força que eu estava fazendo para as segura-las, que escorreram pelo meu rosto, me denunciaram quanto a vontade que eu tinha de ficar ao seu lado pra sempre…
Assim foi resumidamente o que aconteceu no tempo, mesmo que pequeno, que passamos juntos. Escrevi tudo isso, contei resumidamente o que aconteceu conosco pra te fazer uma pergunta: Promete pra mim que tudo isso irá voltar?”. Não quero que seja do mesmo jeito. Não quero que seja agora, apenas quero que os seus olhos se percam novamente nos meus. Apenas quero que os seus lábios toquem, o mais rápido, possível nos meus. Apenas quero sentir de novo que você é minha, e só minha, como senti todas as vezes que estávamos juntos. Promete pra mim que não importa se as estrelas mudem, você vai continuar me esperando novamente? Promete pra mim?
Eu te amo.
